Manter viva a chama do desejo em relações duradouras, realmente, é algo desafiador. Depois de alguns anos de relacionamento estável, conseguir evitar o pijama de malha com desenho do Mickey ou a cueca com elástico frouxo e a barba por fazer, me parece título de sucesso de Hollywood: “Missão Impossível”. O cansaço, o stress, o desgaste com a educação dos filhos, as contas a pagar, a falta de comunicação do casal, as decepções com o parceiro, são fatores que, se mal administrados, interferem no casamento e podem contribuir para apagar o desejo.
O que pouca gente sabe é que a infidelidade pode ser ocasional ou crônica. Uma traição eventual – aquela que acontece por um “deslize” - pode significar muitas coisas: necessidade de preencher um vazio, tentativa de lidar com uma frustração, vingança... Já a traição crônica – aquela que faz parte da vida do sujeito - normalmente, representa uma tentativa de encontrar satisfação. Não satisfação sexual, satisfação em outras áreas da vida.
O traidor crônico normalmente apresenta dificuldades com a autoestima, é uma pessoa insegura, sem confiança em si mesmo e, dificilmente está “de bem” com sua imagem corporal. Assim, na tentativa de diminuir essas sensações de desconforto, sai por aí seduzindo. A cada conquista, o traidor crônico põe à prova sua capacidade de envolver o outro e quando consegue, se sente seguro e confiante. Mas, o problema está essência! Na realidade quem não acredita que é capaz é ele mesmo e não o outro. Em pouco tempo, a falsa sensação de confiança desaparece e ele, incansável, busca outra pessoa de quem espera ouvir tudo aquilo que não acredita: - “Você é lindo! Você é inteligente! Você é maravilhoso! Você é gostoso!...” Dias ou semanas depois, volta a sensação de fracasso, o que o “obriga” a uma nova conquista. E assim vai... Na ânsia de conquistar satisfação psicológica e emocional, os traidores crônicos procuram prazeres passageiros. Adoram exercitar “essa tal liberdade”, porém, não querem abrir mão da segurança que a família proporciona a eles. Seus discursos podem ser cheios de valores e muitas vezes, chegam a ser moralistas. A infidelidade faz parte de seu estilo de vida e na maioria das vezes, não estão preocupados em resolver a questão.
Paulo fugiu à regra. Apesar de trair continuamente a esposa, foi buscar ajuda porque esta situação lhe causava imenso desgaste psíquico. Era comum após encontrar-se com a amante, apresentar episódios de melancolia. Uma vez, chegou a entrar em depressão. Tempos depois, apesar de ter prometido a si mesmo que não procuraria mais a moça, não resistiu: voltou a se encontrar com ela.
O susto veio quando descobriu o “deslize” da esposa. Ela, cansada de tentar se comunicar com o marido e já desconfiada de que ele tinha outra pessoa, acabou não resistindo aos encantos de um amigo do trabalho. Paulo só descobriu porque ela contou. Assim voltamos à cena do início: Paulo, desorientado, tenta encontrar uma maneira de lidar com a situação de traição relatada pela esposa. Aqui temos um exemplo de uma pessoa que traiu eventualmente (a esposa de Paulo – movida por carência afetiva e vingança) e um exemplo de um traidor crônico (Paulo – movido por causas psicológicas).
Os porquês da traição só podem ser explicados se analisados de perto. Cada caso é um caso. É importante saber que, são vários os motivos que conduzem a pessoa à traição e que existem vários tipos traidores, inclusive, os patológicos. Da próxima vez que tiver notícia de que algum conhecido está enfrentando uma situação de infidelidade, apenas ouça. Lembre-se de que há muito mais coisas entre a vida de um casal do julga nossa vã sabedoria.
Abraços! Até a próxima!