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Os porquês da Traição

 

Paulo* entrou em meu consultório muito ansioso. Estava chateado e dizia não saber o que fazer diante da situação que estava vivendo: a traição da esposa.

Realmente, a situação não era agradável, mas até que ponto a indignação daquele homem era justificada? Ah... Esqueci de contar um detalhe: Paulo tinha uma amante há 2 anos e meio... Infidelidade é tema que gera alvoroço. As pessoas adoram emitir opiniões quando algum caso vem à tona e estão sempre tentando entender seus porquês.

 
 

Há aqueles que são contra e aqueles que são a favor. Normalmente, os que são a favor, mudam de lado quando passam de traidores a traídos – e foi o que aconteceu com o protagonista de nossa história... Casado há 8 anos, Paulo me procurou porque estava extremamente insatisfeito com sua vida sexual: - “Falta desejo – mas só com a esposa” – disse ele. Mas, mesmo antes do casamento cair na atordoante rotina, Paulo já tinha relacionamentos paralelos. Dizia não conseguir controlar seus impulsos, porém, afirmava amar sua esposa.

 
 

Manter viva a chama do desejo em relações duradouras, realmente, é algo desafiador. Depois de alguns anos de relacionamento estável, conseguir evitar o pijama de malha com desenho do Mickey ou a cueca com elástico frouxo e a barba por fazer, me parece título de sucesso de Hollywood: “Missão Impossível”. O cansaço, o stress, o desgaste com a educação dos filhos, as contas a pagar, a falta de comunicação do casal, as decepções com o parceiro, são fatores que, se mal administrados, interferem no casamento e podem contribuir para apagar o desejo.

O que pouca gente sabe é que a infidelidade pode ser ocasional ou crônica. Uma traição eventual – aquela que acontece por um “deslize” - pode significar muitas coisas: necessidade de preencher um vazio, tentativa de lidar com uma frustração, vingança... Já a traição crônica – aquela que faz parte da vida do sujeito - normalmente, representa uma tentativa de encontrar satisfação. Não satisfação sexual, satisfação em outras áreas da vida.

O traidor crônico normalmente apresenta dificuldades com a autoestima, é uma pessoa insegura, sem confiança em si mesmo e, dificilmente está “de bem” com sua imagem corporal. Assim, na tentativa de diminuir essas sensações de desconforto, sai por aí seduzindo. A cada conquista, o traidor crônico põe à prova sua capacidade de envolver o outro e quando consegue, se sente seguro e confiante. Mas, o problema está essência! Na realidade quem não acredita que é capaz é ele mesmo e não o outro. Em pouco tempo, a falsa sensação de confiança desaparece e ele, incansável, busca outra pessoa de quem espera ouvir tudo aquilo que não acredita: - “Você é lindo! Você é inteligente! Você é maravilhoso! Você é gostoso!...” Dias ou semanas depois, volta a sensação de fracasso, o que o “obriga” a uma nova conquista. E assim vai... Na ânsia de conquistar satisfação psicológica e emocional, os traidores crônicos procuram prazeres passageiros. Adoram exercitar “essa tal liberdade”, porém, não querem abrir mão da segurança que a família proporciona a eles. Seus discursos podem ser cheios de valores e muitas vezes, chegam a ser moralistas.  A infidelidade faz parte de seu estilo de vida e na maioria das vezes, não estão preocupados em resolver a questão.

Paulo fugiu à regra. Apesar de trair continuamente a esposa, foi buscar ajuda porque esta situação lhe causava imenso desgaste psíquico. Era comum após encontrar-se com a amante, apresentar episódios de melancolia. Uma vez, chegou a entrar em depressão. Tempos depois, apesar de ter prometido a si mesmo que não procuraria mais a moça, não resistiu: voltou a se encontrar com ela.

O susto veio quando descobriu o “deslize” da esposa. Ela, cansada de tentar se comunicar com o marido e já desconfiada de que ele tinha outra pessoa, acabou não resistindo aos encantos de um amigo do trabalho. Paulo só descobriu porque ela contou. Assim voltamos à cena do início: Paulo, desorientado, tenta encontrar uma maneira de lidar com a situação de traição relatada pela esposa. Aqui temos um exemplo de uma pessoa que traiu eventualmente (a esposa de Paulo – movida por carência afetiva e vingança) e um exemplo de um traidor crônico (Paulo – movido por causas psicológicas).

Os porquês da traição só podem ser explicados se analisados de perto. Cada caso é um caso. É importante saber que, são vários os motivos que conduzem a pessoa à traição e que existem vários tipos traidores, inclusive, os patológicos. Da próxima vez que tiver notícia de que algum conhecido está enfrentando uma situação de infidelidade, apenas ouça. Lembre-se de que há muito mais coisas entre a vida de um casal do julga nossa vã sabedoria.    

Abraços! Até a próxima!

 

 
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