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Somos realmente livres?
 

A partir de uma consulta ao Dicionário Aurélio, podemos inferir que liberdade é a faculdade de cada um se decidir ou agir segundo a própria determinação, praticando tudo quanto não é proibido por lei. Em linguagem popular, “fazer o que nos der na telha”.

 

Mas, não haveria outra forma de interpretar o que seria liberdade, ou a falta dela?

Para ilustrar a palavra liberdade poderíamos utilizar a imagem de uma pessoa andando livremente por um campo, sem nada para prendê-la, amarrá-la ou atrapalhar sua caminhada. Desta forma, ela poderá se movimentar por toda a área desse campo, segundo a sua vontade, ou seja, está livre.
 

Ao contrário, para ilustrar a falta de liberdade, imaginemos essa mesma pessoa, no mesmo campo, mas amarrada a uma corda que a prende, que a impede de caminhar livremente. Nesta outra situação a ‘liberdade’ de caminhar pelo campo está restrita, limitada à área que a corda permite. Por mais que ela deseje ou precise ir além do comprimento da corda, não conseguirá.

 
 

Transferindo essas imagens para nossas vidas, teríamos uma pessoa agindo com naturalidade e tranqüilidade diante dos acontecimentos, livre, e outra com dificuldade para resolver suas questões, presa, “amarrada”.

E o que seriam essas “amarras” que nos impedem de agir livremente e com naturalidade? Alguns hábitos (eu diria “maus” hábitos), padrões de comportamento, manifestações do nosso ego, que fazem com que só nos sintamos bem se as coisas acontecerem de acordo com nossos desejos, nossas vontades e nossa conveniência.

Como as coisas não acontecem sempre como nós desejamos, ou as pessoas não irão agir da forma que imaginamos que devam agir, acabamos infelizes, como decorrência desse condicionamento que colocamos, dessa dependência que criamos com relação aos acontecimentos da vida ou às atitudes das outras pessoas.

A reclamação e a insatisfação com as pessoas e os acontecimentos, o sentimento de pressa e a “personalidade forte” são alguns desses hábitos que nos amarram, que nos impedem de ser realmente livres.

Exemplo 1: Pessoas que têm rejeição por comida ficam “presas” às suas conveniências e não conseguem aproveitar todas as possibilidades que se apresentam. Se estiverem num um jantar onde essas comidas forem servidas não conseguirão saborear a alegria daquele momento, não se alimentarão corretamente e ainda, muito provavelmente, criarão constrangimento para o anfitrião.  Com o tempo acabarão tendo problemas de estômago, o que limitará mais ainda o que elas poderão comer (e aí, onde foi parar a liberdade?). Se mudarem o comportamento, eliminando essas “preferências”, acabam com o problema de estômago e ficam livres das “amarras” que as estavam prendendo, readquirindo a liberdade.

Exemplo 2: Estamos a caminho do trabalho, pegamos um engarrafamento onde os carros não andam, e ficamos irritados com esse acontecimento. Quando manifestamos essa irritação estamos sendo pessoas “livres” ou, presos a este sentimento acabamos cada vez nos irritando mais, chegando até mesmo a, em casos extremos, cometer atos de pesadíssimas consequências? E essa irritação vai mudar a situação, fazendo com que o trânsito ande mais rápido? Por que, em lugar de reclamar e irritar-se, não aproveitamos para repassar o nosso planejamento do dia, adaptando nossas atividades a essa nova realidade – a do atraso, priorizando-as e reordenando-as, ou simplesmente aproveitando para relaxar e ouvir uma boa música?

Exemplo 3: Temos um determinado trabalho para entregar e chega a determinação de que outro ganhou prioridade, atrapalhando o nosso planejamento original. Se ficarmos “presos” àquilo que tínhamos planejado, reclamando (e corremos o risco de perder muito tempo só reclamando), não faremos nenhum dos dois direito, pois executaremos este novo trabalho pensando naquele anterior, e quando voltamos para ele acabaremos fazendo apressadamente, com possíveis problemas de qualidade. Se aceitarmos com naturalidade essa modificação, executando imediatamente a nova tarefa com dedicação, com o espírito “livre”, ela será finalizada rapidamente e, se ao voltar à tarefa original também voltarmos com sentimento tranquilo, natural, ela acaba rendendo além do normal. De alguma forma, como decorrência do nosso comportamento livre, as coisas acabam se encaixando.

Muitos outros exemplos práticos poderiam ser dados, mas aqui nos propomos apenas a abrir a possibilidade de reflexão a respeito do nosso comportamento no cotidiano.

Quando reclamamos ou nos sentimos insatisfeitos com algum acontecimento é muito comum, em lugar de agirmos com naturalidade, buscando a melhor solução, ficarmos apenas reclamando, num círculo vicioso do qual se torna cada vez mais difícil sair. Se analisarmos friamente, muito provavelmente veremos que toda essa reclamação é proveniente do apego às nossas vontades, aos nossos desejos, conceitos e preconceitos.

Nossa liberdade depende única e exclusivamente de nós mesmos, da nossa flexibilidade, da nossa capacidade de adaptação aos acontecimentos e às pessoas, da nossa capacidade de dedicação plena àquilo que está ao nosso alcance, àquilo que efetivamente podemos fazer naquele momento. Não podemos resolver nada que esteja situado no passado ou no futuro. No máximo conseguimos aprender com os erros e acertos do passado e iniciar as providências para algo que será realizado no futuro. E o hábito de ficar somente pensando ou reclamando só serve para atrapalhar.

Agindo assim acabamos descobrindo onde está a verdadeira felicidade, que muitas vezes é confundida com a “sensação agradável” que obtemos ao satisfazer nossos desejos. A felicidade é duradoura, e a satisfação, a sensação agradável é passageira, apenas um bem estar momentâneo.

Seja feliz, você merece!

 

Wilton Dimas Gonçalves
(31) 8866-3742
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